As cobranças da cidadania: paradigmas para um novo governo

As cobranças da cidadania: paradigmas para um novo governo

Qual o futuro do Brasil? E quais os desafios que os novos eleitos em 2018 terão que assumir para tirar o país da crise na qual vive atualmente? Esses foram alguns dos questionamentos que encerraram o Fórum CFA de Gestão Pública. O evento terminou nesta sexta-feira, 8 de junho, com a palestra “As cobranças da cidadania: paradigmas para um novo governo” apresentada pelo economista Claudio Porto. A palestra foi presidida pelo coordenador temático do Fogesp, Luiz Augusto da Costa Leite.

O Brasil tem vivido sérios problemas, mas Porto começa falando dos ativos que o país tem, como recursos naturais, por exemplo. Entretanto, há muitos passivos que precisam ser repensados e estudados, pois comprometem a competitividade e o crescimento da nação.

Falando de crescimento em perspectiva a longo prazo, Porto fez um levantamento histórico do avanço econômico do Brasil. Entre 1930 e 1980, o país viveu um crescimento acima da média histórica. Mas, a partir da década de 1980, a economia brasileira deteriorou consideravelmente. “Se continuarmos assim, somente daqui a 100 anos o Brasil poderá ter chances de viver uma economia semelhante ao que vive Portugal hoje”, alertou o palestrante.

Claudio explicou que, para mudar esse cenário, é preciso investir em reformas. Elas e a reinvenção do estado brasileiro são condições necessárias para o Brasil voltar a ter chances de trilhar uma rota de crescimento e prosperidade sustentável, a médio e longo prazo.

Entre as principais causas do esgotamento do Estado brasileiro está o “contrato social”, previsto na Constituição de 1988 que, embora generoso, torna-se insustentável. “Toda vez que se tem um problema, recorre-se ao estado. Este, por sua vez, para atender à necessidade, por não ter recurso, aperta mais no bolso do brasileiro. A conta não fecha mais. Isso vai gerar ou um calote, ou uma inflação, o que prejudicará ainda mais os pobres”, explicou Claudio.

A máquina pública é outro entrave ao crescimento do país. O número de servidores públicos é alto e os salários oferecidos são exorbitantes em alguns poderes. “Brasil é fabricante de desigualdade e privilégios; isso precisa acabar”, defendeu. Além disso, há o problema da corrupção.

Para solucionar esses problemas, Claudio fala de uma agenda para a retomada do crescimento. Essa agenda inclui redefinição de papéis e instituições estatais, repensar o pacto federativo, rever a questão do financiamento com simplificação tributária e limitação para a expansão do gasto público, além da organização e gestão das políticas e dos serviços públicos.

Entretanto, entre as reformas que se fazem mais urgentes apontadas pelo palestrante é a reforma previdenciária. De acordo com ele, se ela não voltar a ser discutida, o Brasil vai quebrar – situação bem semelhante ao que aconteceu na Grécia. “A gente precisa focar nisso, o país precisa avançar. Se não, vai entrar em colapso e vamos viver, diariamente, várias greves semelhantes a dos caminhoneiros”, concluiu.

Assessoria de Comunicação CFA

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